A construção de uma Via Rápida para ligar Criciúma a BR-101 continua gerando polêmica entre os moradores do Bairro Jardim Maristela. O projeto da SCParcerias é cortar o bairro, desapropriando casas e terrenos, se for preciso. O problema é que a intenção da SCParcerias seria construir duas pistas que absorveriam 70% do tráfego proveniente da BR-101 com destino a Criciúma, causando um grande volume de trânsito não condizente com um bairro exclusivamente residencial como o Jardim Maristela. Além disso, a construção de uma Via Rápida faria com que crescesse a procura de imóveis e terrenos às suas margens para instalação de estabelecimentos comerciais e indústrias, o que também é contrário à classificação de Zona Residencial.
Em abril o engenheiro da SCParcerias esteve no bairro, mas não apresentou nenhuma mudança no projeto que pudesse agradar aos moradores. Por isso, os representantes da Associação de Moradores do Bairro Jardim Maristela estiveram reunidos na semana passada com o Secretário de Desenvolvimento Regional Édio Castanhel para tratar do assunto. A Associação não quer a passagem da Via Rápida pelo bairro, ou ao menos, se a obra tiver mesmo que acontecer, esperam que cause o menor dano possível a qualidade de vida do bairro.
A tesoureira da Associação, Anilda Beyer Thó, ficou mais otimista após a reunião com o secretário Édio Castanhel pois segundo ela, ele se mostrou pronto a ouvir os motivos e reivindicações dos moradores. O próximo passo será a definição, por parte dos representantes do bairro, de alguns pontos que devem ser observados pela SCParcerias para que possa haver um acordo satisfatório.
Stefano de Almeida entregou ao Secretário de Desenvolvimento Regional um ofício onde enumera alguns motivos da rejeição dos moradores à passagem da rodovia pelo bairro.
Além, do tráfego intenso e da exploração comercial dos imóveis, os seguintes pontos também foram destacados:
- a sinalização prevista pelo projeto da SCParcerias não é suficiente. Seriam necessárias, no mínimo, três lombadas eletrônicas ao longo da rodovia;
- o projeto não prevê cuidados com as áreas verdes e nascentes de águas que existem no bairro. Stefano afirma que "um projeto que prevê a passagem de uma rodovia por um bairro residencial e nem ao menos tenta minimizar o impacto ambiental não merece créditos da população que ali reside."
É certo que o progresso deve acontecer e a cidade precisa crescer, mas pelo bem de todos é bom que isso seja feito sem prejudicar a população que paga seus impostos. Isso sem falar no fato de que muitos dos moradores do Jardim Maristela escolheram aquele bairro para morar justamente por ser uma área exclusivamente residencial. Os responsáveis afirmam que se for preciso desapropriar alguma casa ou terreno, seus proprietários serão devidamente indenizados. Mas não se trata apenas disso, afinal como se pode indenizar a perda de um lar, de um local onde foram construídas lembranças, vivências e famílias?