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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Série Jornalismo e Diploma

Diploma como forma de exploração

Artigo de J. Pimentel do Caros Ouvintes

A grande questão ainda não foi respondida: por que a exigência do diploma de jornalista para se exercer o jornalismo aqui no Brasil? Em alguns países mais desenvolvidos não há exigência do famigerado diploma, o que não significa que não existam faculdades de jornalismo muito menos que o jornalismo como profissão seja desvalorizado.

Na Alemanha, por exemplo, onde o diploma não é obrigatório os grandes jornais contratam apenas quem tem diploma, mas utilizam jornalistas não diplomados para determinados assuntos específicos. Nos Estados Unidos, país de referência na liberdade de expressão, onde o diploma também não é exigido, funcionam aproximadamente quatro centenas de faculdades de jornalismo, mais de 120 cursos de pós-graduação e dezenas de doutorados. Em pesquisa recente, constatou-se que 80% das Redações naquele país são compostas por diplomados.

Então, se lá fora pode e funciona, por que aqui não pode? A grande diferença entre nós e eles é que nesses países mais desenvolvidos e com sólida tradição democrática, o que conta é a experiência, a competência, o desempenho e não o diploma em si. Nas redações norte americanas e européias encontramos centenas de jornalistas mais velhos, maduros e experientes, coisa pouco comum no Brasil. Aqui, por conta dessa reserva absurda de mercado as empresas contratam jovens recém saídos das faculdades, desesperados por um emprego a preço de banana e enchem suas redações de estagiários, mão de obra jovem e muito barata.

Dizer que os salários mínimos profissionais nos padrões atuais são uma conquista da categoria e garantem boa remuneração é desprezar os anos de estudo de um profissional diplomado. Iniciar numa profissão tão sensível como é o jornalismo, com menos de dois mil e quinhentos reais por mês (cálculo do Dieese como o mínimo necessário para que uma pessoa atenda todas as suas necessidades fundamentais) é uma ofensa ao jornalista, mas isso ninguém questiona e é exatamente por causa dessas distorções que há muita gente contra a decisão do Supremo.

O ministro Gilmar Mendes, que foi o relator da matéria, afirmou que a decisão é coerente com a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos, e que a regulamentação é excepcional, ou seja, somente para casos com uma justificativa especial. Mendes afirmou que em casos no qual a saúde, segurança e integridade física são ameaçadas, o Estado deve intervir para regulamentar a profissão.

sábado, 27 de junho de 2009

Diploma não é garantia de nada... em qualquer profissão!


Mais um texto da série Jornalismo e Diploma. Texto de Julio Daio Borges, publicado originalmente no Digestivo Cultural.

A vida não está fácil para quem é jornalista no Brasil. Depois de décadas de redações se encolhendo e salários se achatando, a internet veio para tornar o profissional tecnicamente obsoleto e, agora, o STF veio para lavrar a obsolescência da profissão em cartório: para trabalhar como jornalista, não é mais necessário se formar em jornalismo (não é mais necessário ter diploma de jornalista) - o que ensejou a conclusão, entre muitos, de que, para trabalhar com jornalismo, não é mais preciso nem... ser jornalista.
Sobrou para os blogueiros, claro. Mas não é a mesma "guerra" da outra semana: não é a velha geração querendo manter o controle dos meios e a nova se rebelando, numa disputa entre o mainstream de antes e o de agora. A grita, neste momento, é mais pela sensação, entre universitários, de que o diploma - antes garantia de uma certa "reserva de mercado" - agora não é mais garantia de nada - porque, para trabalhar com jornalismo, aparentemente qualquer diploma de curso superior vale... O argumento está baseado na falta de experiência de quem não conhece o mercado de trabalho e que, portanto, não sabe que nenhum diploma é garantia de nada - em toda e qualquer profissão. A obsolescência dos jornalistas e dos futuros jornalistas (agora em formação) não é a do diploma - está mais ligada à visão romântica de que ainda existem redações de jornal, como as de cinema, quando a prática se aproxima, cada vez mais, do dia a dia dos... blogs!
Se um estudante montasse seu veículo on-line, no começo do curso de jornalismo, em alguns anos sairia melhor preparado, para a futura realidade da profissão, do que teóricos das antigas práticas, diagramando com tesoura e cola, discutindo a censura na ditadura militar, apegando-se a suportes, como o papel, virtualmente condenados... O debate, do diploma, deveria alargar suas fronteiras e abordar as verdadeiras questões - o jornalismo não é mais o que era só porque o STF decretou: o jornalismo não é mais o que era porque, no tempo, parou; e não só no Brasil, no mundo todo...

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sexta-feira, 19 de junho de 2009

"Por que advogados precisam de diploma de direito?": não aguento mais ouvir essa frase!

Alguns leitores perguntaram qual o posicionamento do Tudo de Cri quanto a atual não obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para se exercer a função de jornalista. A Ana já deu sua opinião no comentário de um post anterior e eu (Juliana Dacoregio, formada em Jornalismo), pessoalmente devo dizer que concordo com ela e concordo com aqueles que dizem que a decisão do STF é um retrocesso para a nossa categoria e para e imprensa de qualidade de modo geral. Já postei sobre o assunto em meu blog pessoal, defendendo a obrigatoriedado do diploma.

Mas também preciso dizer que há pontos de vista com argumentos fortes afirmando que essa mudança trará melhorias ao ensino superior e que não há razão para tanto alarme já que muitas profissões, como administração de empresas e publicidade por exemplo, não exigem diploma específico para a função, apesar de exigirem alguma formação superior.

Não fiquei feliz com a decisão do STF e não acho que ela me trará vantagem alguma, mas consigo usar minha racionalidade para compreender os argumentos daqueles que defendem a não obrigatoriedade do diploma. Porém, eu defendo e sempre defenderei o estudo, o conhecimento, a cultura e o preparo e acredito que essas coisas aprendem-se sim em uma faculdade!

Mas acredito que nós, jornalistas, não devemos levar essa discussão para o lado de dizer que outras profissões, como médicos ou advogados, também não deveriam exigir diploma de graduação. Claro que são coisas que falamos no calor do momento e da indignação, talvez até uma forma de fazer humor com a desgraça, mas já está constrangedor ler comentários tão rasos. Resumindo: o papo de "vamos pedir a não obrigatoriedade do diploma de direito para os advogados" ou "você se operaria com um médico que não fosse formado?" CANSOU! (Gente, na boa, sei que muitos falaram isso porque foram na onda ou porque estavam de sangue quente, mas chega, já deu, já tá ficando feio pra gente!) Insistir nisso é infantilidade, além de passar um super recibo de desconhecimento e despreparo. Reclamam da ignorância dos Ministros do Supremo, mas demonstram uma ignorância infinitamente maior.

É uma pena que nós jornalistas formados só tenhamos frases desprovidas de qualquer criatividade e conteúdo para expressarmos nosso descontentamento. É uma pena que jornalistas formados não tenham o discernimento necessário para entender que mesmo quem concorda com a decisão do Supremo NÃO É CONTRA O DIPLOMA. É uma pena ver jornalistas formados julgando e condenando aqueles que têm opiniões contrárias às suas.

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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Cinco argumentos contra a obrigatoriedade do diploma

  1. a melhor forma de melhorar a qualidade das faculdades de jornalismo é derrubar a obrigatoriedade do diploma. Vão sobreviver as escolas que realmente fizerem a diferença
  2. se fosse verdade que é necessário diploma para fazer bom jornalismo, o que se fazia no Brasil antes de 1969?
  3. se fosse verdade que é necessário diploma para fazer bom jornalismo, o que se faz nos EUA? Na Inglaterra? Na França? (pra ficar só em três)
  4. a falta de diploma não avilta os salários. A Folha paga salários tão altos quanto qualquer jornal, se não mais altos.
  5. é ridículo dizer que as empresas querem o fim do diploma obrigatório para pagar menos. Não só porque os fatos provam que isso é mentira (ver ponto 4), mas porque o que qualquer empresa quer é ter os melhores profissionais. Os mais competentes. Os mais inteligentes. Os mais bem formados.

Observação importante: não sou contra as escolas de jornalismo. Sou a favor, desde que elas sejam boas. Mas sou a favor também de que o aspirante a jornalista possa dedicar seu precioso tempo a outro tipo de formação, se julgar que é isso que vai deixá-lo mais preparado para fazer um bom trabalho.

Um jornalista precisa fundamentalmente:

  • a) entender do assunto que vai cobrir, para não ser usado pelas fontes;
  • b) saber levantar informações relevantes que os poderes querem esconder;
  • c) transformar as informações numa história articulada e compreensível.

Escolas de jornalismo não resolvem o ponto a.

Poderiam até ajudar muito no b e no c, mas minha experiência mostra que não fazem isso.

Os pontos b e c podem ser aprendidos em cursos de especialização ou até na prática.

Artigo de Ana Estela de Souza Pinto, do Blog Novo em Folha


Jornalismo de luto


Agora é fato: para atuar como jornalista não é mais necessário ter diploma de curso superior em Jornalismo. O Supremo Tribunal Federal decidiu ontem pela não obrigatoriedade do diploma. O único a votar a favor do diploma foi o Ministro Marco Aurélio Mello.

A palavra de ordem é retrocesso: o presidente do Sindicato dos Jornalistas de SC, Rubens Lunge, e a coordenadora do curso de Jornalismo da Faculdade Satc, Lize Burigo consideraram a decisão do Supremo um retrocesso. Mas Lize Burigo salienta que o conhecimento adquirido pelo jornalista formado não pode ser tirado e "é isso que fará a diferença entre o jornalista graduado e aquele que acha que sabe fazer". Já o presidente do Sindicato reforça que o diploma não será exigido, mas continua sendo obrigatório o Registro Profissional. "Perdemos a obrigatoriedade da formação universitária, agora precisamos nos fortalecer ainda mais para não perder outros direitos históricos. Para isso o sindicato precisa contar com a participação de todos", afirmou Rubens Lunge.


Protestos


O Jornal da Manhã expressou a indignação de seus profissionais com uma capa "de luto" e jornalistas de Criciúma estão se organizando para comparecerem todos vestidos de preto hoje na entrega do Prêmio Acic de Jornalismo.


Os blogs e twitter de jornalistas estão bombando com opiniões e declarações sobre o caso. Lene de Costa, jornalista que atua em veículos da web, afirmou em seu blog:


"Conheço pessoas fantásticas que tem o dom da cura, mas elas não podem ser consideradas médicos.Conheço pessoas que argumentam como ninguém e defendem realmente os direitos de quem precisa, mas elas não podem se intitular advogados.Mas para o STF, quem escreve ou fala bem atrás do microfone, em frente às câmeras, ora, pode muito bem ser jornalista. Ser formador de opinião. Ser tomado por verdadeiro."


Magali Colonetti, formada em Publicidade e Jornalismo, tem medo de que a decisão do STF influencie os administradores de veículos de comunicação a contratarem pessoas não graduadas para economizar. "Tenho medo de maus administradores que poderam enxergar ai uma forma de redução de custos com a folha de pagamento. Sem o diploma a hora/trabalho deverá ser mais barata.", afirma Magali. Mas ela acredita que boas empresas continuarão valorizando o jornalista formado e que vale a pena ter estudado para exercer a profissão: "Conhecimento teórico sempre é importante. Sem falar que estudando quatro anos você constrói uma base legal e não precisa iniciar totalmente do zero em uma profissão. Bom para o profissional e bom para a empresa que não precisa ensinar todos os mínimos detalhes de como exercer a profissão para o novato."


Enquanto alguns afirmam que a não obrigatoriedade do diploma não trará grandes mudanças nas empresas de comunicação, outros não estão nada otimistas. Taize Pizoni, jornalista que já trabalhou em diversos veículos, hoje atua como assessora de imprensa do Hospital São José e repórter do Jornal da Manhã, acredita que as empresas tem interesse em contratar pessoas não formadas para exercer a profissão de jornalista. "A ação que resultou neste trágico fim foi movida pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo. O que reafirma o interesse da direção dos veículos de comunicação em não ter jornalistas diplomados", justifica Taize.

Leia também:

Sou jornalista e não desisto nunca - artigo de Maíra Rabassa, ex-diretora executiva do Sindicato dos Jornalistas de SC.


Fontes:


Coluna Jovem e Atual


Rádio Criciúma


Filipe Casagrande